terça-feira, 23 de janeiro de 2018

"Funk" e "espiritismo" cooptaram esquerdas para evitar que sejam investigados


As forças progressistas brasileiras, consideradas de "esquerda", precisam rever seus valores. Suas agendas, no âmbito político, econômico e jurídico, são exemplares, com temas que profundamente analisam os problemas sociais existentes dentro de cada ramo, investindo, de maneira audaciosa e brilhante, em abordagens que a chamada mídia dominante é incapaz de assumir.

Todavia, fora desses âmbitos, as esquerdas falham. Em muitos casos, como no âmbito da cultura e da religião, seguem os mesmos pontos de vista da mídia dominante. No esporte, vivem relação de amor e ódio com astros do futebol brasileiro que, em maioria, apoiam políticos conservadores. Mas é no âmbito da cultura e religião que ocorrem os problemas mais graves.

"Funk" e "espiritismo" podem parecer duas esferas sociais opostas, porque o primeiro enfatiza a liberdade sexual e o culto ao corpo e o segundo, em tese, enfatiza a fé religiosa e os valores morais do espírito. Mas os dois fenômenos se unem quando o assunto é "humildade", usando sempre dos mesmos apelos emotivos, guardadas as diferenças de contexto.

Ambos são conservadores. O "funk" defende uma limitada emancipação social das classes populares, dentro das regras do "livre mercado" e evoca valores ligados ao machismo e à imagem glamourizada da pobreza e da ignorância populares, transformando o povo pobre numa espécie de caricatura de si mesmo.

O "espiritismo", sabemos, por mais que evoque tendenciosamente o nome e o legado de Allan Kardec, se reduziu hoje a um "outro catolicismo", mais voltado às crenças e valores medievais do Catolicismo jesuíta que dominou o Brasil durante o período colonial. Com isso, o "espiritismo" brasileiro defende uma agenda conservadora que vai do repúdio generalizado ao aborto à defesa da Teologia do Sofrimento, que faz apologia da desgraça humana.

No entanto, tanto funkeiros quanto "espíritas" cooptaram esquerdistas usando como gancho publicitário a imagem de "pobres sorridentes". Como se isso fosse, por si só, uma demonstração de apoio às classes populares. Tanto uns quanto outros adotam um discurso vitimista, um apelo falsamente assistencial e um discurso ufanista que dá a falsa impressão de positividade e progressismo.

E por que as esquerdas aderiram facilmente a esses dois cantos de sereias, que podem fazer as forças progressistas sucumbirem a uma degradação cultural por parte do "funk" e a um obscurantismo religioso por parte dos "espíritas". E por que o fato dos dois fenômenos receberem alta blindagem das Organizações Globo, símbolo da mídia dominante e conservadora, não sensibiliza os esquerdistas a evitar essa adesão?

TIM LOPES E "NOVA ERA"

O que vemos é que o "funk" e o "espiritismo" passaram a cooptar os esquerdistas visando um objetivo: evitar que eles investigassem as irregularidades por trás de cada fenômeno, que envolvem processos de arrivismo e jogos de interesses bastante estratégicos.

No "funk", o precedente teria sido o misterioso caso do jornalista Tim Lopes, sequestrado e morto em 2002 por um grupo de traficantes. Foi uma época em que a intelectualidade progressista contestava o "funk", Lopes, que, apesar de atuar na Rede Globo, fazia um jornalismo de qualidade independente, investigava casos de exploração sexual de menores em "bailes funk".

Em seguida, o "funk" passou a criar uma narrativa "positiva", se utilizando do jargão "periferia" difundido pelos livros do então presidente, em fim de mandato, Fernando Henrique Cardoso. Segundo especialistas, o "funk" personifica as relações de dependência entre Brasil e países ricos defendidas por FHC pela Teoria da Dependência.

O discurso ganhou um verniz pretensamente progressista e os funkeiros criaram um plano engenhoso. Primeiro aproveitariam a aliança que faziam e continuam fazendo com as Organizações Globo para se projetarem em tudo quanto era atração e veículo ligado à corporação da família Marinho, para depois "vender o produto" para as esquerdas, através da atuação "independente" de intelectuais vindos de veículos da imprensa conservadora ou de meios acadêmicos associados.

A cooptação das esquerdas - cujo ponto máximo foi o apoio, tão tendencioso quanto hipócrita, do DJ Rômulo Costa à presidenta Dilma Rousseff, num showmício em Copacabana, Rio de Janeiro, contra o impeachment, em 17 de abril de 2016 - era um artifício para calar a boca das forças esquerdistas e evitar que fossem investigados aspectos sombrios nos bastidores do "funk".

Mesmo as alianças que os empresários, intérpretes e DJs de "funk" exercem com os executivos da mídia dominante passam pela vista grossa dos esquerdistas, que nunca fizeram uma reportagem investigativa sobre o lado sombrio do "funk", se limitando, quando muito, a fazer coberturas apologistas e meramente descritivas dos eventos de entretenimento como os "bailes funk", dentro da imagem glamourizada da pobreza e de estereótipos associados à população pobre.

No "espiritismo", a coisa é bem mais complexa. Há o pretexto da "liberdade religiosa", confundida com a permissividade para que os "espíritas" façam o que querem e se promovam até com as memórias dos mortos, com supostas psicografias e pregações anti-doutrinárias que deixariam Allan Kardec bastante aflito e indignado.

Diante de apelos emocionais diversos, se desencoraja a investigação jornalística ou acadêmica porque "não se investiga trabalho do bem". Pouco importa se a "caridade espírita" é um terreno fértil para o superfaturamento, que "médiuns espíritas" fazem turismo tanto desviando o dinheiro da filantropia quanto recebendo dinheiro sujo de empresários. Nada é investigado e a menor suspeita é neutralizada por relatos "mansos" pedindo para "não ofender as pessoas de bem".

As esquerdas mordem a isca do "espiritismo" através de seu papo sobre "nova era" que contém um ponto adicional: a falácia que cria um discurso "progressista" para a ideia de Brasil como "coração do mundo" e "pátria do Evangelho". Era um meio de dizer que o mundo "entrará na Nova Era" se atribuir ao Brasil a conduta de "princípios humanitários (sic) da fraternidade cristã" ("fraternidade cristã" é eufemismo para supremacia religiosa).

A falácia de que isso trará um progresso para os brasileiros esconde o lado sombrio dessa condição, pois exemplos diversos mostraram os malefícios de nações que se impuseram como centros planetários e supremacias religiosas, como o Catolicismo na Idade Média.

Com isso, leva-se gato por lebre. Os esquerdistas não irão investigar um movimento religioso que "põe o Brasil para cima". Seguem o risco de defenderem figuras bastante conservadoras como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, sem que esboçasse um único questionamento sobre estas personalidades bastante retrógradas (e blindadas pela Rede Globo, como o "funk" e os políticos do PSDB).

Pior: mesmo quando Chico Xavier aparece num vídeo antigo defendendo a ditadura militar com muita convicção (a famosa entrevista no programa Pinga Fogo, da TV Tupi de São Paulo, em 1971), ou Divaldo Franco homenageando o reconhecidamente decadente prefeito de São Paulo, João Dória Jr., os esquerdistas reagem em silêncio ou, quando muito, com "perplexidade", como se estivessem sem capacidade de compreender esses aspectos sombrios.

O "espiritismo" sinalizou o apoio ao golpe de 2016 de maneira explícita e hoje segue apoiando o governo Michel Temer. Já definiu como "início de regeneração" as passeatas do "Fora Dilma" de 2016, a ponto de atribuir "despertar humanitário" a grupos retrógrados como Movimento Brasil Livre e Vem Pra Rua.

Apesar disso, não há o mesmo empenho das esquerdas em contestar os "espíritas" - que cometem um agravante que é de produzir supostas psicografias à revelia dos ensinamentos espíritas originais - da mesma forma que é feita contra os neopentecostais. Estes também pecam por terem uma agenda social retrógrada e ultraconservadora, mas pelo menos não cometem a desonestidade doutrinária que arranha a trajetória do "espiritismo" no Brasil.

COMO ROMPER COM ISSO?

As esquerdas têm um compromisso histórico com as classes populares e enfrentará um momento delicado amanhã, quando o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva será julgado em Porto Alegre, por desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), devido a um motivo que já foi desqualificado: a acusação de propriedade de um triplex no Guarujá, que uma juíza de Brasília já penhorou para pagar as dívidas da OAS, revelando ser esta a verdadeira dona do imóvel.

As esquerdas não podem ficar complacentes com fenômenos duvidosos, só por causa de pequenos pretextos, sobretudo as imagens de pobres sorridentes. Deveria investigar o "movimento espírita" e o "funk" sem condescendência, porque ambos os fenômenos apresentam erros sérios que em muitos casos ameaçam o país, como a usurpação dos mortos em falsas psicografias, o reacionarismo de Chico Xavier e a coisificação da mulher através do "funk" e a depreciação da imagem da mulher solteira, através do exemplo estereotipado de Valesca Popozuda.

Há muitos pontos sombrios envolvendo "espíritas" ou funkeiros. Divaldo Franco oferecendo o Você e a Paz para homenagear João Dória Jr. e permitir o lançamento da deplorável "farinata" é um caso que não deve ser subestimado. Deveria-se, por exemplo, investigar quem paga as viagens de Divaldo no exterior, ou se não há um caso de exploração indevida dos pobres alojados na Mansão do Caminho.

No caso do "funk", há a falta de coragem em investigar a forma que o empresário da Furacão 2000, Rômulo Costa, "apoiou" Lula e Dilma ao fazer o evento de Copacabana. Dois pontos sombrios pesam: um deles é que o barulho do "funk" abafou a essência do protesto contra o impeachment. Rômulo estaria, na verdade, a serviço de anti-petistas para abafar o protesto e distrair a população, criando um clima favorável para a votação contra a presidenta, na noite de 17 de abril de 2016.

Outra é que Rômulo é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, que queria Dilma Rousseff fora do poder, e teria relações com o PMDB carioca, o que sugere que o "ódio" de Rômulo contra o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é "mimimi" ou "caô" ("caô" é uma gíria suburbana carioca que quer dizer "mentira descarada").

São muitas pautas que exigem dos esquerdistas coragem para investigar. Se não investigarem, os esquerdistas perderão o caminho por causa da complacência e, com isso, poderão perder também suas conquistas, sem poder enfrentar de forma crítica fenômenos de entretenimento, cultura, religião e esportes que estão ligados ao poder hegemônico da mídia, do mercado e da sociedade elitista e conservadora. Nem sempre imagens de pobres sorrindo significa a verdadeira emancipação do povo.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Texto traz ideia equivocada de "mediunidade" e exalta deturpadores do Espiritismo

YVONNE PEREIRA, CHICO XAVIER E DIVALDO FRANCO - ADEPTOS NÃO DE KARDEC, MAS DE JEAN-BAPTISTE ROUSTAING.

A mídia progressista, infelizmente, reproduz os mesmos paradigmas religiosos da mídia reacionária, e contribuem para o mau ensino da Doutrina Espírita, exaltando os deturpadores às custas de um engodo teórico que mistura a Ciência Espírita original com conceitos igrejistas deturpados.

O que se vende como "kardecismo autêntico" acaba sendo um engodo em que se mistura igrejismo, cientificismo e esoterismo, se exaltam deturpadores sob a desculpa da "caridade" e se leva gato por lebre o tempo inteiro, sem questionamento algum.

O pior é que as esquerdas exaltam deturpadores do nível de Chico Xavier e Divaldo Franco, que são blindados pela Rede Globo de Televisão e servem a interesses das classes conservadoras, pois os dois já expressaram seu direitismo, em muitas ocasiões, não cabendo a mídia progressista ficar exaltando essas figuras bastante duvidosas.

O texto também cita a "médium" Yvonne Pereira, que, sabe-se, também foi roustanguista como os dois "médiuns", sendo portanto figuras que destoam do legado espírita original e que apenas reduzem a herança de Kardec num arremedo para justificar conceitos igrejistas aqui e ali.

Para terminar nossa análise e irmos ao texto abaixo, vale lembrar que o conceito de "mediunidade" é muito distorcido no Brasil. Médium, na verdade, não é aquele que "recebe mortos", mas aquele que transmite a mensagem dos mortos para o mundo dos vivos.

Essa distorção faz com que a figura do "médium", da forma que é feita no Brasil, perca o caráter intermediário original para se servir a interesses do "movimento espírita". Difunde-se, de maneira equivocada, a ideia pela metade, se limitando a dizer que "médium" é aquele que "fala com os mortos", independente de transmitir mensagem para os vivos. Esquece-se que quem só "recebe os mortos" é tão somente paranormal, só vira "médium" quando transmite esse contato a um vivo.

Os "médiuns" aqui se servem do culto à personalidade e se tornam o centro das atenções, se tornando os "sacerdotes" do "movimento espírita". É triste que até as esquerdas estão desinformadas de tanta deturpação que atinge como um punhal pelas costas a memória do pedagogo lionês.

Não custa avisar às pessoas para ler todo texto favorável a um "médium espírita" com muito cuidado, para que assim se evite a adoração deles através de argumentos confusos, falaciosos ou ingênuos, caindo na tentação das paixões religiosas, mesmo travestidas de "lógica científica". Cabe aqui ler o livro de maneira crítica, sem margem alguma de complacência aos "médiuns" deturpadores.

==========

Todos os humanos são médiuns e interagem com os Espíritos (Ciência e Filosofia Espiritualista)

Por Marcos Villas-Bôas - Jornal GGN

O Livro dos Médiuns, publicado por Allan Kardec, é considerado a grande obra sobre mediunidade, porém, após ele, muitas outras vieram, até porque médiuns espetaculares encarnaram e puderam ser estudados, sobretudo no Brasil, como Yvonne do Amaral Pereira (1900-1984), Francisco Cândido Xavier (1910-2002) e Divaldo Pereira Franco (1927-).

Percebe-se pelas datas acima que a mediunidade não é doença e que é possível viver por muitíssimos anos passando por fenômenos surpreendentes, mas isso desde que sejam compreendidos e que o indivíduo saiba tomar os cuidados devidos para que a sua faculdade não lhe ocasione perturbações ou, o que é pior, doenças de ordem física ou mental.  

Neste blog, insistimos muito na explicação científica sobre a existência dos Espíritos devido à capacidade que tem essa teoria de mudar a vida das pessoas para melhor. Dado que todos são médiuns, ninguém deixa de interagir com os Espíritos diariamente, o que afeta suas vidas de forma positiva ou negativa. Entendendo muito bem como se dá essa interação, é possível agregar mais experiências positivas do que negativas.

Todos são médiuns, pois o ser humano tem uma faculdade ínsita a ele de receber vibrações, pensamentos e até outras influências de seres desencarnados. A glândula pineal, sobre a qual voltaremos a tratar em outros textos, que é muito pouco estudada pela Medicina, teria papel essencial na emanação dessa faculdade.

No item 159 do Livro dos Médiuns, está dito que são raras as exceções de pessoas que não têm esse “canal” aberto para o mundo espiritual ao menos em estado rudimentar:

“159. Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade, é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de uma organização mais ou menos sensitiva”.

Normalmente, o que se entende por médium no dia a dia é aquele chamado no meio espírita de “médium ostensivo”, alguém com faculdades muito evidentes, que lhe permitem ver ou ouvir os Espíritos, ou ainda que permitam aos Espíritos escrever (psicografia) ou falar (psicofonia) por meio dele.

A mediunidade está, contudo, muito mais no dia a dia humano do que se pensa. Muitos há que podem enxergar campos magnéticos em torno das pessoas, vendo uma tênue linha de energia em volta do corpo (ex. a aura). Outros podem sentir, durante uma meditação ou outra atividade relaxante, formigamentos na pele, pressões na cabeça ou outras reações físicas decorrentes da conexão com Espíritos.

Muitos há que chegam em determinado local e sentem uma vibração ruim nele, descobrindo depois que algo negativo acontecia ali. Muitos há que sentem uma vibração ruim em certas pessoas e depois descobrem que ela estava passando por problemas ou que carrega muitos pensamentos negativos.

Acima de tudo, a mediunidade que a maioria tem é uma sensibilidade em relação às vibrações de outros Espíritos encarnados e desencarnados, que permite receber deles influências e ser até mesmo dirigido. Na pergunta 459 do Livro dos Espíritos, que Kardec faz a um Espírito, ele responde assim:

“459. Influem os Espíritos em nosso pensamentos e em nossos atos?

- Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem”.

Até pelo fato de se saber que todos têm um guia espiritual, é preciso que se tenha a mediunidade para haver influência por parte desse guia na vida do indivíduo. Muitas vezes, é ele quem nos dirige. Outras vezes são Espíritos menos evoluídos, que buscam satisfazer seus desejos, como vingança, diversão, vícios em álcool, fumo ou outras drogas etc.

A compreensão da mediunidade é fundamental para que os indivíduos possam se conectar cada vez mais com Espíritos, encarnados ou desencarnados, que sejam evoluídos, pois um dos fatores elementares da mediunidade é abrir o ser para um magnetismo em relação aos demais seres. Todos nós, encarnados ou desencarnados, nos atraímos ou repelimos por sintonia das vibrações.

Há diversos tipos de mediunidade, muitos deles catalogados em O Livro dos Médiuns, que é resultado de anos de observações realizadas por Kardec em reuniões mediúnicas, contando com esclarecimentos de Espíritos superiores, os quais assinam muitas das comunicações transcritas na obra.

Não iremos mais adentrar em questões sobre a existência ou não de Espíritos ou de mediunidade, pois cabe a cada um pesquisar e tirar suas próprias conclusões. Focaremos na proposta principal deste blog que é, por uma visão científica, estudar a espiritualidade de modo a ajudar as pessoas a interagirem melhor com ela, realizando progressos em suas vidas.

Para quem tiver curiosidade sobre o tema, a literatura sobre ele é vastíssima. Ver, por exemplo, a obra Recordações da Mediunidade, de Yvonne Pereira, cujo trecho interessante destacamos abaixo:

“Aos 4 anos eu já me comunicava com Espíritos desencarnados, pela visão e pela audição: via-os e falava com eles. Eu os supunha seres humanos, uma vez que os percebia com essa aparência e me pareciam todos muito concretos, trajados como quaisquer homens e mulheres. Ao meu entender de então, eram pessoas da família, e por isso, talvez, jamais me surpreendi com a presença deles. Uma dessas personagens era-me particularmente afeiçoada: eu a reconhecia como pai e proclamava como tal a todos os de casa, com naturalidade, julgando-a realmente meu pai e amando-a profundamente. Mais tarde, esse Espírito tornou-se meu assistente ostensivo, auxiliando-me poderosamente a vitória nas provações e tornando-se orientador dos trabalhos por mim realizados como espírita e médium. Tratava-se do Espírito Charles, já conhecido do leitor por meio de duas obras por ele ditadas à minha psicografia: Amor e ódio e Nas voragens do pecado” (p. 30).

A resposta comum dos que não compreendem o assunto é pensar que uma afirmação como essa acima é obra da imaginação ou de peças que a consciência prega nas pessoas, porém essa conclusão é de logo afastada pelo caráter inteligente das comunicações obtidas desses seres invisíveis, que transmitem ideias importantes, das quais muitas vezes ninguém mais tinha conhecimento, a não ser aquele indivíduo encarnado a quem o Espírito se refere como sendo a mesma pessoa.

Os Espíritos, frequentemente, sabem de fatos de que apenas nós mesmos temos conhecimento, ou dos quais nem nós mesmos nos lembrávamos, sendo que eles nos rememoram para poder nos ajudar, nos ensinar algo.

Muitos casos atribuídos, portanto, hoje à esquizofrenia, a alguma espécie de loucura ou demência pela Medicina são, na verdade, espirituais e precisam ser tratados como tal. O desconhecimento do mundo invisível tem levado muitos à depressão e até ao suicídio, cujos números são hoje alarmantes, denotando que a sociedade está doente e que há uma falha grave na Medicina atual.

Como para muitos é, de fato, difícil de crer nos Espíritos e na sua influência sem uma prova mais material, não custa, então, ao menos levar aqueles que sofrem de algum mal desse tipo até um local onde se trabalhe com a espiritualidade e que possa prestar algum tipo de ajuda, mantendo o tratamento médico, nem que seja para causar um efeito placebo, que a própria Medicina reconhece. Se não houver qualquer efeito no tratamento espiritual, basta esquecê-lo e continuar o tratamento médico normalmente.

Nunca se deve deixar o tratamento indicado pelo médico, mas agregar outros é aconselhável, dado que a Medicina, como toda ciência, vem progredindo vagarosamente. Desde muitos séculos antes de Cristo, os médicos sangravam os indivíduos pressupondo que eles se curariam de suas doenças, colocando o mal para fora por meio do sangue. Essa era a forma de tratamento mais avançada para tratar muitas doenças, segundo a ciência, até o século XIX, ou seja, há menos de 200 anos.

Hoje, com a evolução da Medicina enquanto ciência, descobriu-se que a sangria terminava causando a morte de muitas pessoas que poderiam ser curadas, tendo se restringido o tratamento a casos muito específicos em que é preciso descoagular o sangue de uma região ou reduzir nele a quantidade de ferro.   

Deste modo, como em qualquer outra ciência, e isso será cada vez mais rápido, dentro do período de um século muito do que se tinha por verdade irrefutável passa a ser considerado uma enorme bobagem. O mesmo acontecerá brevemente com o materialismo, pois o processo já está em marcha.

Yvonne do Amaral Pereira é uma das provas de que a mediunidade é um conjunto de faculdades que, quando bem desenvolvidas, podem gerar efeitos que a maioria dos humanos caracterizaria como miraculoso. Sua vida foi repleta de provas, assim como a de muitas outras pessoas que passam por situações parecidas, mas não descobrem que são médiuns, muitas vindo a se suicidar pela sucessão de perturbações que acaba enfrentando.

A vida de Dona Yvonne, como é também conhecida, foi, por exemplo, marcada por experiências de morte aparente, que quase lhe levaram a ser enterrada viva quando tinha apenas um mês de vida, e se repetiram mais tarde:

“Certa noite, inesperadamente, verificou-se o fenômeno de transporte em corpo astral, com a característica de morte aparente. Felizmente para todos os de casa, a ocorrência fora em hora adiantada da noite, como sucede nos dias presentes, e apenas percebido pela velha ama que dormia conosco e que fora testemunha do primeiro fenômeno, no primeiro mês do meu nascimento. Pôs-se ela então a debulhar o seu rosário, temerosa de acordar os de casa, o que não a impediu de me supor atacada de um ataque de vermes e por dando-me vinagre a cheirar; mas como o alvitre se verificara infrutífero para resolver a situação, preferiu as próprias orações, o que, certamente, equivaleu a excelente ajuda para a garantia do transe. Somente no dia seguinte, portanto, o fato foi conhecido por todos, por mim inclusive, que me lembrava do acontecimento como se tratasse de um sonho muito lúcido e inteligente” (p. 35).

Um dos maiores especialistas em doenças decorrentes da não educação da mediunidade ou da compreensão dos aspectos espirituais da consciência humana é Adolfo Bezerra de Menezes (1831-1900), que foi médico, político, espírita, dentre outras atividades. Sua vida está retratada no filme “Bezerra de Menezes – O Diário de um Espírito”, que pode ser encontrado aqui: https://www.youtube.com/watch?v=JD52pssheVA.

Vários médiuns escreveram muitos textos atribuídos ao Espírito Bezerra de Menezes, inclusive Dona Yvonne. Sobre os efeitos danosos da mediunidade e da não compreensão da influência da espiritualidade sobre a consciência humana, ela diz o seguinte, com base no Dr. Bezerra:

“O Espírito Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, a quem tanto amamos, observou, em recentes instruções a nós concedidas, que nos manicômios terrestres existem muitos casos de suposta loucura que mais não são que estados agudos de excitação da subconsciência recordando existências passadas tumultuosas, ou criminosas, ocasionando o remorso no presente, o mesmo acontecendo com a obsessão, que bem poderá ser o tumulto de recordações do passado enegrecido pelos erros cometidos, recordações indevidamente levantadas pela pressão da vítima de ontem transformada em algoz do presente. Muitos chamados loucos, e também certo número de obsidiados, costumam asseverar que foram esta ou aquela personalidade já vivida e fizeram isto ou aquilo, narrando, por vezes, atos deploráveis” (p. 39).

É amplamente sabido que a Medicina ainda não explica uma porção de casos de loucura e usa, inclusive, tratamentos agressivos, que não obtêm resultado em muitas das situações. Não havendo uma compreensão dos aspectos espirituais dessas doenças, não se avançará.

“Não obstante, existem também homens que recordam suas vidas passadas sem padecerem aqueles desequilíbrios, conservando-se normais. Os médiuns positivos, ou seja, que possuam grandes forças intermediárias (eletromagnetismo, vitalidade, intensidade vibratória, sensibilidade superior, vigor mental em diapasão harmônico com as forças físico-cerebrais), serão mais aptos do que o normal das criaturas ao fenômeno de reminiscências do passado, por predisposições particulares, portanto. Assim sendo, e diante do vasto noticiário que produzimos acerca do empolgante acontecimento, temos o direito de deduzir que o fato de recordar o próprio passado reencarnatório é uma faculdade que bem poderá ser mediúnica, que, se bem desenvolvida e equilibrada, não alterará o curso da vida do seu possuidor, mas, se ainda em elaboração e prejudicada por circunstâncias menos boas, causará lamentáveis distúrbios, tal a mediunidade comum, já que o ser médium não implica a obrigatoriedade de ser espírita” (p. 40).

Nota-se, desses trechos da obra de Dona Yvonne, a seriedade dos fenômenos mediúnicos e dos demais aspectos espirituais sobre a mente humana. A ciência precisa se dedicar a eles, buscando os métodos de tratamento mais eficazes para evitar o sofrimento de milhares de pessoas em todo o mundo.

Veremos em textos seguintes mais experiências de Dona Yvonne e de outros médiuns sobre as repercussões da espiritualidade, especialmente da mediunidade, na vida humana encarnada.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Os "médiuns espíritas" cometem traições e você nem liga. Deveria ligar


Nas relações pessoais, é comum reagir com muita indignação quando antigos entes queridos cometem traições. A sociedade registra casos de traições sérias que geram rompimentos e até crimes, transformando antigas afeições em ódios violentos.

Recentemente, no Canadá, um selfie desvendou um crime bárbaro, em que duas antigas amigas, Cheyenne Rose Antoine e Brittney Gargol, apareciam sorrindo, com a primeira delas, a autora do selfie, usando o cinto que teria servido para enforcar a segunda.

Brittney, que aparece no famoso selfie no lado direito da foto, teria sido esfolada porque as duas estavam bêbadas e dopadas pela maconha e talvez tivessem discutido na ocasião, numa boate. Cheyenne tentou escrever mensagens como "Cadê Você? Não deu mais notícias. Espero que tenha chegado bem em casa", aparentemente para despistar.

A Justiça entendeu como assassinato de segundo grau, mas depois o definiu como homicídio culposo. Cheyenne se arrependeu do ato, de maneira sincera. Mas no calor do momento pode ter sido movida por impulso de uma discussão momentânea e partido para cometer o crime.

Incidentes de poucos minutos resultam também em inimizades declaradas, em feminicídios, em parricídios ou em disputas judiciais por danos morais ou heranças de um genitor falecido. As tensões sociais mostram que as pessoas podem reagir com indignação extrema durante situações de alguma traição ou desavença séria.

CHEYENNE ANTOINE (ESQ.) E BRITTNEY GARGOL.

É claro que trair não é bom, assim como se vingar de uma traição também não. Mas o bom senso deveria ser levado em conta, em vez do sentimento de vingança, ainda que provisório e movido pelo impulso emocional do momento. Embora seja recomendável o diálogo, admite-se impedir que alguém faça alguma coisa se ela tornou-se uma tarefa malfeita.

No "espiritismo" brasileiro, temos dois grandes exemplos de traidores da Doutrina Espírita, com um surpreendente e preocupante grau de gravidade. Os "médiuns" Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, que se encaixam no perfil de "inimigos internos" que haviam sido descritos, com muita antecedência, por Allan Kardec, são casos de profunda traição que muitos têm medo de admitir, mas que são fatos comprovados.

São traições graves, porque remetem à desonestidade doutrinária e a irregularidades apontadas em trabalhos supostamente mediúnicos. São problemas que não devem ser subestimados, porque seu nível de gravidade envolve o uso de pretextos como "caridade" e "mensagens positivas" como artifícios para mascarar e ocultar essas práticas levianas, e sabe-se que a pior mentira é aquela que se camufla por atitudes aparentemente bondosas e agradáveis.

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO, MAS FORA DA HONESTIDADE TAMBÉM NÃO

Embora isso ainda seja chocante para muitos, assim como atitudes que ainda fazem coçar a cabeça - como Chico Xavier defendendo a ditadura militar num antigo programa de TV e Divaldo Franco apoiando a "farinata" de João Dória Jr. -  , as provas de tantas traições são verídicas e contundentes, por mais que a Justiça ou a opinião pública adotem critérios "objetivos" que mais servem para botar tais sujeiras debaixo do tapete.

Usam-se essas desculpas "objetivas" para tudo. Está comprovado que a obra espírita original diz valores e conceitos que nas obras os dois "médiuns" soam divergentes. Juntos, Chico e Divaldo lançaram conceitos anti-doutrinários muito graves, como supor, por paixões materialistas, que o mundo espiritual é "análogo" ao da Terra e discriminar pessoas diferenciadas sob o rótulo duvidoso de "crianças-índigo".

Os dois "médiuns" sempre foram católicos e, na verdade, haviam sido "adotados" pelo "movimento espírita". Chico e Divaldo são considerados traidores da Doutrina Espírita não porque eram espíritas que falharam, mas porque assumiram um compromisso de representar a herança kardeciana na qual nunca tiveram o interesse de cumprir corretamente, só eventualmente expondo corretas teorias espíritas mais para manter as aparências do que mostrar que "aprenderam alguma coisa".

O aparato de "caridade", e "belas palavras", os apelos emotivos "agradáveis" e todo o verniz de "suavidade", "positividade", "humildade" e "despretensão" não podem ser vistos como atenuantes, mas como agravantes da desonestidade doutrinária que os "médiuns espíritas" cometem contra o legado kardeciano.

Essa constatação não é caluniosa nem ofensiva, porque a fidelidade doutrinária deveria vir em primeiro lugar. Não é uma questão de dizer-se "fiel" aos postulados espíritas originais, pois de que adianta seguir a máxima "Fora da caridade não há salvação" se ignora a outra frase: "Fora da honestidade não há salvação"?

Se a "caridade" serve para ocultar a desonestidade, seu sentido de ajuda ao próximo se anula completamente. Se o deturpador do Espiritismo usa a filantropia como artifício para obter a credibilidade que sua traição doutrinária não oferece, mais desgraçado é esse deturpador, mais deplorável é sua figura, mais indigna de credibilidade é sua pessoa, por mais que o açúcar de suas palavras ou de outros apelos emotivos cause sensação de aparente conforto em multidões.

TOLERÂNCIA NÃO É COMPLACÊNCIA

Chico e Divaldo cometeram desonestidades sérias e traições gravíssimas. Ainda que pudéssemos perdoá-los, não podemos admitir que eles possam ter a mínima representatividade no Espiritismo. Há 40 anos, acreditávamos que os dois deturpadores iriam colaborar para a recuperação das bases doutrinárias, mas tudo isso foi em vão. Os dois continuaram igrejistas até o fim, e Divaldo continua sendo.

Como vamos reagir a isso? Com indignação, é claro. Ainda que não pudéssemos reagir com fúria ensandecida, devemos, ao menos, tolerá-los como pessoas mas renegá-los firmemente como pregadoes espíritas. Tolerância não é complacência, não é permissividade.

Devemos ignorar seus textos e palestras totalmente, fecharmos olhos e ouvidos aos dois "médiuns", até porque, se eles eventualmente dizem alguma coisa aparentemente boa ou agradável, há muitas outras pessoas que diriam a mesma coisa com mais propriedade, sinceridade e profundidade.

O apego doentio aos "médiuns", motivado pelas tentações do "bombardeio de amor" - um tipo perigoso de apelo emocional próprio do discurso falacioso - , faz com que a sociedade brasileira adote uma complacência assustadora em relação a esses ídolos religiosos, que acabam exercendo um poder descomunal através de formas graves de obsessão, já previamente descritas na obra kardeciana: a fascinação obsessiva e a subjugação.

A fascinação obsessiva impede as pessoas comuns de abrirem mão dos "médiuns". Em muitos casos as pessoas parecem conviver sem eles, mas é só eles aparecerem na televisão ou em alguma outra imagem que elas se rendem, como se estivessem sido dominadas por um canto de sereias. Os "médiuns" nem bonitos eram ou são, mas parecem estar dotados de um tipo muitíssimo perigoso de sedução e dominação das mentes humanas.

No caso de juízes, jornalistas e acadêmicos que deveriam analisar as traições doutrinárias dos "médiuns", ocorre a subjugação. "Recusamos a investigar pessoas de bem", dizem eles. Fora uns poucos corajosos, não há coragem em verificar as irregularidades cujos indícios sugerem alta possibilidade de comprovação.

O caso de Humberto de Campos é notório. A usurpação de seu nome teria sido leviana - Chico Xavier não gostou da resenha que o autor maranhense deu a Parnaso de Além-Túmulo e por isso o "médium" teria se "vingado" transformando-o num "autor do além" - , comprovadamente irregular (o estilo atribuído ao autor maranhense na "obra espiritual" difere grosseiramente do original) e motivada por interesses comerciais, ainda que sob a desculpa da "caridade".

A seletividade da Justiça é notória. Temos uma justiça tendenciosa que, dependendo do status quo de alguém, pode condenar um indivíduo sem provas de um crime e inocentar um outro cujo crime tem provas comprováveis. 

Se hoje vemos a Justiça cometer o papelão de poder condenar o ex-presidente Lula por um prédio que nunca foi de sua propriedade e foi penhorado em nome da empreiteira OAS, no passado essa mesma Justiça foi capaz de inocentar Chico Xavier mesmo quando há provas claras de que as "psicografias", no caso referentes ao nome de "Humberto de Campos", eram evidentemente fraudulentas.

O caso mais grave, embora muitos considerem "lindo e comovente", foi o assédio religioso que Chico fez ao filho do escritor, o produtor Humberto de Campos Filho. Ele o convidou em 1957, para uma reunião "espírita" em Uberaba, usou de artifício emocional (o perigoso "bombardeio de amor") para dominá-lo durante um abraço e mostrou atividades aparentemente filantrópicas, que indicam Assistencialismo (caridade fajuta que ajuda pouco e promove mais a imagem pessoal do "benfeitor").

Embora oficialmente esse episódio fosse definido como "linda lição de misericórdia e amor", ele foi um ato de extrema leviandade. Chico se aproveitou que a viúva de Humberto, dona Catarina Vergolino de Campos, havia falecido para fazer assédio ao filho dela, também levando em conta que o filho do autor maranhense começava a conhecer o "espiritismo", por influência de amigos e colegas de televisão.

Isso só agrava as coisas e, quando se usa a "caridade" para a promoção de ídolos religiosos marcados por traições doutrinárias, isso se torna mais deplorável e não digno de relativização ou admiração. O assédio a Humberto de Campos Filho só mostra o lado mais grave e mais traiçoeiro de Chico Xavier, um ato de dominação por motivos tendenciosos, feitos para sepultar um processo judicial do caso Humberto de Campos que havia se mantido em sentenças recorrentes após o desfecho de 1944.

Da mesma forma, tão deplorável é o caso da "farinata" de Divaldo Franco. Ele que sempre foi o centro das atenções e o foco primeiro do evento Você e a Paz (é sempre o primeiro a ser procurado para entrevistas e é a pessoa que aparece em todas as propagandas do encontro "ecumênico"), ao decidir homenagear um político decadente (o prefeito de São Paulo, João Dória Jr.) e um produto alimentar de valor duvidoso ("farinata" ou "ração humana"), Divaldo tentou se esconder.

As reportagens sobre a "farinata" mal creditavam o nome "Você e a Paz" e procuravam omitir o nome do seu maior responsável. Mesmo a imprensa esquerdista ignorou Divaldo, que pôde sair de fininho num contexto em que ele personificou um "fantasma às avessas": alguém vivo e encarnado que "desapareceu" das vistas das pessoas vivas. E isso apesar de Divaldo ter aparecido ao lado de Dória nas fotos - uma delas Divaldo é o que olha para a frente - e do nome dele e do evento aparecerem na camiseta do prefeito de São Paulo.

Essa atitude é conhecida como omissão. Divaldo ofereceu seu evento para o lançamento oficial de um alimento condenado por nutricionistas e visto por ativistas sociais como "atentado à dignidade humana", algo vergonhoso para um "médium" tido como "humanista". No entanto, a responsabilidade que ele deveria ter foi omitida e Divaldo pôde depois voltar para dar depoimentos e mensagens faladas ou escritas.

Há muito o que falar das traições dos "médiuns espíritas". Se muitas pessoas são capazes de se indignar com as traições de cônjuges, parentes e amigos de infância, por que logo no caso dos "médiuns" que deturpam o Espiritismo se tem que fazer como aquele marido "corno-manso" que acredita que a esposa que o trai está saindo com os "priminhos"? Isso seria coisa de muita preocupação e cautela. Não nos prendamos à cegueira das paixões religiosas e seus apelos emotivos.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Como explicar a deturpação do Espiritismo para os leigos?

PÁGINA DE COMUNIDADE "ESPÍRITA" NO FACEBOOK - Gororoba doutrinária.

Como explicar para o público leigo e como divulgar para fora dos meios espíritas, autênticos ou não, o problema da deturpação que atinge frontalmente a Doutrina Espírita, desmoralizando o legado kardeciano original?

Nos bastidores do "movimento espírita" e nos meios de debates nas redes sociais e na Internet, a deturpação é muito questionada, mas, fora desses meios, o que se vê ainda é uma ideia equivocada de que o Espiritismo, no Brasil, é uma doutrina sóbria, equilibrada e dotada da mais pura simplicidade e despretensão.

Isso tudo é uma ilusão. Mesmo assim, prevalece a narrativa, digna de ficção novelesca, que descreve Allan Kardec criando uma doutrina a partir de estudos sobre a espiritualidade, que depois ganhou contornos religiosos no Brasil e tudo resultou numa equilibrada religião cristã marcada pela simplicidade, pelo ecumenismo, pela tolerância e pela despretensão.

Tudo isso é falso. Afinal, por trás dessa embalagem tão agradável, há muita podridão. Acusações de mediunidades fake que atingem até os ditos renomados "médiuns" Chico Xavier e Divaldo Franco, pregação a favor do sofrimento alheio, defesa não só de valores morais conservadores mas também de governos reacionários, tudo isso mostra o lado sombrio do "espiritismo" brasileiro que escapa das compreensões do público médio.

O rol de escândalos que envolve o "movimento espírita" é coisa de arrancar os cabelos e se comparam aos escândalos dos pastores das seitas neopentecostais. Chico Xavier fazendo "leitura fria" para "rechear" falsas psicografias de "informações". O renomado espírita José Herculano Pires definindo a "caridade" de Divaldo como "condenável", chocando o desavisado que se habitua a ver no "médium" baiano um símbolo pleno de "filantropia e fraternidade". E por aí vai.

Como divulgar todas essas irregularidades e como apontar que os livros de Xavier e Franco destoam, em muitos aspectos, dos ensinamentos kardecianos? Como dizer aos leigos que o "espiritismo" brasileiro é deturpado e cometeu desonras sérias à doutrina francesa original?

Seria preciso furar o bloqueio de uma mídia complacente com os "espíritas" e, pelo menos, pedir à imprensa progressista, que serve de contraponto à imprensa dominante, que aborde o "movimento espírita" brasileiro sem complacência com os deturpadores, suficientemente blindados por uma Globo, Veja, SBT ou Band. Não há necessidade do Brasil 247, por exemplo, blindar Chico Xavier, e o Diário do Centro do Mundo fazer vista grossa no caso Divaldo Franco-farinata do Dória.

Há uma imprensa de baixa qualidade que ensina Espiritismo tudo errado, glorificando os deturpadores, explicando errado a mediunidade e cultuando os "médiuns" que não merecem a menor confiabilidade, pela forma com que eles "vaticanizam" a doutrina kardeciana, não raro agindo com a pior das hipocrisias.

Seria necessário, portanto, essa furada de bloqueio. Buscar denunciar a deturpação do Espiritismo na mídia alternativa, apontando seus aspectos principais e, depois, indo mais adiante. O que não pode é manter o deslumbramento com os "médiuns", sob a desculpa da "fraternidade", até porque essa conciliação aparente só age em favor dos deturpadores, sobretudo os próprios "médiuns", que se aproveitam da ingenuidade das pessoas para impor seu poder sob o verniz da "humildade".

Não se pode poupar os "médiuns" sob a desculpa da tolerância e conciliação, porque o que se tolera na verdade são as práticas da mentira, da mistificação e das fraudes feitas por eles. E a suposta conciliação é, na verdade, um sinal verde para a divulgação de ideias e conceitos anti-doutrinários, que são defendidos ao arrepio da lógica espírita original.

Deixemos que a blindagem aos "médiuns espíritas" se limite à Globo, Veja, Band, SBT ou outros veículos solidários da mídia patronal. A mídia alternativa, como o DCM, Brasil 247, Carta Capital e outros, deveriam ser veículos para se questionar e repudiar a deturpação do Espiritismo.

Não se pode usar a desculpa da "fraternidade" e outros conceitos bonitos para se permitir a deturpação e o poder dos "médiuns", porque isso é consentir com a deturpação que desmoraliza gravemente todo o trabalho árduo que Kardec fez na Codificação. Glorificar os "médiuns" brasileiros é ofender, desonrar e repudiar o trabalho deixado pelo pedagogo lionês.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O que faz muitos brasileiros se apegarem aos "médiuns espíritas"?


O que faz muitos brasileiros se apegarem aos "médiuns espíritas"? As palavras dóceis? A suposta caridade? O alegado contato com os mortos? A aparente despretensão e suposta humildade? O pretenso intelectualismo?

O "espiritismo" brasileiro representou, mais do que nunca, não a combinação equilibrada das diversas ideias relacionadas à virtude, à bondade e à inteligência humanas, mas a combinação dos mais intrincados artifícios de argumentação falaciosa e manipulação das mentes humanas, às custas de inúmeros apelos emocionais e linguísticos que dificultam a compreensão da realidade, que se torna refém das mistificações desta religião.

Existem desculpas para tudo, até para o "espiritismo" brasileiro deturpar o legado de Allan Kardec. Deturpa-se os ensinamentos originais do pedagogo francês, sob a desculpa de que no Brasil prevalecem as tradições religiosas cristãs. Deturpa-se, mas finge-se "fidelidade absoluta" e "respeito rigoroso" ao legado kardeciano, sob a desculpa de "modernização" ou "adequação à realidade brasileira".

Nunca um fenômeno ou instituição conseguiram ir tão longe na manipulação das mentes humanas e no uso de argumentos tão tendenciosos e hipócritas, porém agradáveis e verossímeis. Até mesmo a valorização de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco serve para colocar o nome do mestre de ambos, Jean-Baptiste Roustaing, debaixo do tapete.

Os brasileiros vivem um período de profunda crise nas instituições, além da decadência de muitos paradigmas. No entanto, se apega a eles de maneira doentia, a ponto de se abrir mão de ideias e personalidades inovadoras em prol de coisas velhas e obsoletas mas que durante muitos anos foram aceitas e apoiadas por setores influentes da sociedade.

Essa crise não se trata de uma mera tempestade moderada que tratá susto com chuva forte, trovões e raios para, depois, dar lugar a uma noite de céu estrelado. Essa tempestade será devastadora e velhos paradigmas cairão, e eles não serão o Modernismo, a Bossa Nova e nem o Partido dos Trabalhadores, usualmente classificados como "velhos".

Paradigmas associados ao ultraconservadorismo social estão ruindo, e mesmo pessoas que se dizem "progressistas" estão assustadas. Os entulhos de acumulam nos porões mentais das pessoas e elas resistem a se livrar deles.

Só o medo da sociedade brasileira até de ver assassinos ricos morrerem, mesmo doentes ou vulneráveis, mostra o quanto o Brasil não abre mão do cheiro forte de mofo de muitos valores e personalidades. Para pessoas assim, é preferível até que personalidades jovens e inovadoras morram, em detrimento de algozes velhos e doentes.

"ESPIRITISMO" E A MANIA DE TRIUNFALISMO

O "espiritismo" brasileiro vive a mais aguda crise, quando suas contradições diversas vêm à tona. Tido como "progressista", o "espiritismo" sinalizou o apoio ao golpe político de 2016 e o cenário sócio-político dele resultante, fato comprovado em diversas ocasiões.

Mesmo assim, volta à tona a velha combinação de vitimismo e triunfalismo, com os "espíritas" se dizendo "confiantes" com sua vitória em momentos extremamente delicados. Acham que, perto da derrota, os deturpadores do Espiritismo serão mais uma vez beneficiados pela complacência geral e pela retratação dos seus opositores e tudo voltará à mesma estabilidade de antes.

E as pessoas que se apegam aos "médiuns espíritas" mais uma vez se sentem "esperançosas" com o triunfalismo deles, como se eles pulassem um túnel de fogo e saíssem ilesos, sem queimaduras. Eles aprontam com escândalos resultantes de suas decisões arrivistas e, se passando por vítimas, tentam passar por cima pelos obstáculos que eles mesmos criaram para si.

Vendo Chico Xavier com suas frases "cruas" de meros jogos de palavras opostas, mas enfeitadas com ilustrações floridas ou celestes, e Divaldo Franco com sua oratória rebuscada e cheia de pompa, se vê o quanto os apelos emotivos associados a eles e similares entorpecem os instintos humanos, dominados pelas paixões religiosas aos "médiuns espíritas".

A divinização dos "médiuns espíritas" é feita de maneira assustadora, mas é uma ilusão feita pelas paixões terrenas que envolvem o âmbito das religiões que, sabemos, são criações humanas, as quais se sujeitam, com igual ou mais intensidade, aos mesmos caprichos ambiciosos e orgiásticos das paixões do sexo, das drogas e do dinheiro.

APEGO DOENTIO E INSEGURANÇA

O apego aos "médiuns espíritas" é doentio. Ele se serve de uma mistura de transe emocional e êxtase religioso, criando um simulacro de elevação emocional que, do contrário da emotividade saudável, não traz uma sensação natural e forte de serenidade. Diante da menor contrariedade, os seguidores dos "médiuns" explodem em fúria e agressividade, mesmo quando reagem com irônicas poses de falsa calma e aparente diálogo.

Até que ponto as pessoas podem até mesmo aceitar serem prejudicadas na vida, em nome da idolatria cega aos "médiuns"? Que tipo de "caridade" elas defendem para justificar a divinização obsessiva de seus ídolos? A que utilidade terá, realmente, nas suas vidas, o entretenimento das palestras "espíritas", com "médiuns" oradores como Divaldo Franco, destilando mel até na saliva, com sua verborragia de palavras enfeitadas e textos rebuscados e prolixos, cheios de mistificação?

As pessoas chegam a abrir mão de tudo. Da ética, da lógica, do bom senso, da coerência, do respeito a si mesmos, da qualidade de vida, porque para os "médiuns" se deve ter a idolatria cega e submissa. Ainda que a casa de cada pessoa caia mediante um deslizamento, ainda que a fome passe a debilitar os órgãos a ponto de fazer o coração parar, a idolatria aos "médiuns" é a única coisa a ser mantida, como se fosse o único patrimônio de seus seguidores.

Isso é extremamente grave e as pessoas se apegam aos "médiuns espíritas" sem saberem os equívocos em que se metem. Num país onde se dissimula tudo, as pessoas ignoram que, com essa idolatria, elas expressam sua beatitude retrógrada e medieval e se revelam pessoas bastante conservadoras, e não é raro haver pessoas que se dizem "progressistas" que se revelam terrivelmente conservadoras e até reacionárias.

O apego aos "médiuns espíritas" revela, portanto, um inconsciente medieval que prende muitos brasileiros, pela carga emotiva que suas crendices lhes sugerem. A catarse emotiva e a submissão mental das pessoas faz com que elas se apeguem a um "médium espírita" como um pedaço de madeira enferrujada ao qual se agarram num naufrágio.

Mas é uma ilusão considerar que elas se sentem protegidas com isso, porque isso é apenas uma falsa sensação de alívio diante da zona de conforto da submissão a um ídolo religioso. A adoração dos brasileiros aos "médiuns espíritas" revela, com o seu apego obsessivo a eles, um triste defeito que eles não conseguem admitir: a INSEGURANÇA.

As pessoas não conseguem tocar a vida por si mesmas, não sabem o que querem na vida, defendem valores conservadores mas se horrorizam quando alguém lhes aponta essa qualidade, e são tão confusas que querem ser católicas sem encarar seus ritos e sacramentos. O "espiritismo" brasileiro acaba lhes sendo ótimo, porque ele atua como um "catolicismo para preguiçosos".

Se as pessoas não abrirem mão dessa idolatria e encarar com isenção e sem medo os aspectos sombrios dos "médiuns", que no fundo são severos e graves deturpadores do Espiritismo já alertados previamente pela obra kardeciana original, se tornarão escravas da mistificação dos "médiuns", que com seu culto à personalidade usam de todo artifício para se tornarem os semi-deuses aos olhos da multidão na Terra. E isso não é bom.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

As pessoas não estranham o mel das palavras de certos oradores


Ninguém estranha quando alguns oradores, como Divaldo Franco, adotam uma linguagem por demais melíflua, açucarada demais para as condições normais da natureza humana. Não se trata de uma voz de alguém evoluído, até porque são apenas aparatos materiais de palavras enfeitadas, que mais sugerem mistificação do que sabedoria e fazem o orador se autopromover com teorizações excessivas e desnecessárias sobre temas como paz e fraternidade.

Numa sociedade conflituosa em que vivemos, ideias pacifistas não podem se tornar prisioneiras de todo um ritual de palavras bonitinhas. Em muitos casos, falar demais sobre paz pode irritar as pessoas, e o excesso de teoria só se torna admissível numa sociedade marcada pelo deslumbramento religioso, da adoração aos pregadores da fé religiosa e de uma certa preguiça de ação da maioria das pessoas.

Há aspectos estranhos, sim. Parece cruel dizer isso, mas não é. Há mercadores das palavras que buscam as glórias da Terra através de uma carreira em que a voz tem sabor de mel e a escrita, perfume de flores. Quantas ambições não estão por trás desse aparato de "lindas mensagens", quantas promoções pessoais não estão por trás dessa diabetes de ideias, que se tornam entretenimentos de acomodação e anestesia social, mais do que convites para a ação e transformação?

Divaldo Franco é o maior deturpador vivo do Espiritismo. Ajudou a rebaixar o legado kardeciano a um sub-Catolicismo medieval. Suas aparentes virtudes, a "caridade" e a "oratória", já foram vistas com muita desconfiança por ninguém menos que José Herculano Pires, renomado estudioso espírita. Seus ocmentários sobre o anti-médium baiano, publicados em uma carta, não devem ser subestimados:

"Do pouco que lhe revelei acima você deve notar que nada sobrou do médium que se possa aproveitar: conduta negativa como orador, com fingimento e comercialização da palavra, abrindo perigoso precedente em nosso movimento ingênuo e desprevenido; conduta mediúnica perigosa, reduzindo a psicografia a pastiche e plágio – e reduzindo a mediunidade a campo de fraudes e interferências (caso Nancy); conduta condenável no terreno da caridade, transformando-a em disfarce para a sustentação das posições anteriores, meio de defesa para a sua carreira sombria no meio espírita".

Pesquisamos o que é o "caso Nancy" e vemos que Herculano Pires se refere a Nancy Ann Tappe, criadora da farsa das "crianças-índigo", juntamente com o ex-casal Lee Carroll e Jan Tober, um modismo esotérico que se tornou a "bandeira" adotada pelo "médium" baiano para descrever a "evolução planetária" e conduzir a "herança" de seu amigo mineiro Francisco Cândido Xavier a respeito de outra farsa, "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", uma patriotada religiosa.

As pessoas se deixam serem dominadas por oratórias com sabor de mel. Se deixam levar pelos apelos emocionais associados aos "médiuns" deturpadores do Espiritismo, que nunca possuíram a função intermediária e discreta dos verdadeiros médiuns.

Para aumentar ainda mais o aspecto vergonhoso, os médiuns do tempo da Codificação eram, apesar de aristocráticos, pessoas bem mais discretas e humildes que os "médiuns" brasileiros, que vivem da ostentação, da falsa modéstia e do culto à personalidade.

Quanta hipocrisia ver Divaldo Franco falando mal do culto à personalidade e das paixões religiosas, se esses dois processos se voltam tranquilamente à sua pessoa, através do entretenimento da "paz" muito falada e muito menos praticada.

ENTRETENIMENTO QUE PODE GERAR EFEITOS CONTRÁRIOS

O malabarismo discursivo apela para a prática constante da paz, mas é somente o "fazer falar". Tudo vira uma questão de retórica: o embelezamento das palavras e o desnecessário excesso de teorização da paz, através de conceitos abstratos que dão uma retórica aparentemente linda e empolgante, mas que se perde no vazio das palestras igrejeiras que produzem o divertimento viciado das palavras bonitas.

O grande problema que isso trás é que a realidade comprova que paz não se teoriza demais, não há a menor necessidade de investir num excesso de palavras porque a resolução de conflitos não passa pelo turbilhão de oratórias.

Em muitos casos, a excessiva exposição de "mensagens" sobre a paz, além de indicar forte grau de pieguice - que é o sentimentalismo excessivo e enjoado - , pode trazer irritação para pessoas que vivem com algum conflito ou tensão mental, podendo trazer efeitos contrários e fortalecer o ódio e o aborrecimento de muitas pessoas.

Do lado daqueles que gostam desse tipo de oratória, há outro efeito negativo, que, no entanto, parece à primeira vista preservar as boas emoções e os belos sentimentos. Mas, nesse caso, ocorre uma espécie de anestesia social, onde as palavras funcionam como água com açúcar, criando uma espécie de "diabetes mental", que é o transe e a sensação analgésica de aparente conforto emocional, algo que no entanto parece narcótico e movido mais pelo deslumbramento religioso do que pelo senso de altruísmo e serenidade.

Falar sobre a "paz" acaba se tornando um mero divertimento sem muito efeito prático. E cria falsas sensações de que "algo está funcionando". Mas se realmente isso funcionasse, o Brasil não teria vivido esse clima de ódio que hoje vemos. E vendo que a retórica melíflua sobre a "paz" vem de um deturpador do Espiritismo, de alguém que traiu severamente o legado espírita original, isso deve ser visto com muita estranheza e desconfiança.

Afinal, trata-se de uma "paz" anestesiante, mistificadora e dopante. Uma "paz sem voz" que depende da "superioridade" do orador em questão, que com seu malabarismo de palavras se impõe como um pretenso sábio e alegado possuidor da verdade.

Isso não está de acordo com a natureza normal da vida humana, onde os verdadeiros sábios não têm mel na boca e não falam necessariamente de forma suave, e muito menos têm a pretensão de dizer a verdade absoluta ou de trazer respostas para tudo.

Os verdadeiros sábios estão muito longe de terem como símbolo um mistificador como Divaldo, que está mais próximo dos antigos sacerdotes reprovados por Jesus de Nazaré, que muito energicamente alertava contra os manipuladores da palavra e mistificadores de oratórias de palavras enfeitadas e postura extravagante feitas para dominar o público e exercer influência total sobre ele. Portanto, tem razão Herculano quando alertou sobre a "conduta negativa" de Divaldo como orador.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Divaldo Franco e o seu silêncio em artigo equivocado


O verborrágico roustanguista Divaldo Pereira Franco, insistindo na mistificação de um falso espiritismo com apelos igrejeiros e supostamente pacifistas, escreveu um artigo "sensível" sobre a crise do Brasil que mostra mais uma vez os equívocos cometidos pelo "médium".

O artigo, que começa bajulando Dom Hélder Câmara, tem como tema o silêncio, e deveria ser dirigido ao próprio, que reagiu em silêncio e com gritante omissão ao escândalo da "farinata" de João Dória Jr.. O próprio Divaldo decidiu, consciente dos riscos, o lançamento do terrível alimento (feito por restos de comida de procedência e valor nutricional duvidosos, que teriam matado por intoxicação alimentar internos de uma casa no interior paulista), e tentou sair pela porta dos fundos.

Ele teve sorte porque houve outro silêncio, o da imprensa como um todo, que neste caso omitiu que o evento que lançou a "farinata" de João Dória Jr. é o Você e a Paz que, de forma explícita, credita Divaldo como seu maior responsável. De repente os jornalistas mais complacentes fizeram de conta que o evento havia sido criado pela Arquidiocese de São Paulo, que é apenas coadjuvante do encontro.

O artigo, sempre com aquele apelo piegas e igrejeiro, também tem como equívoco grave considerar que houve o julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos. Ele nunca houve, segundo historiadores conceituados. Não existem registros históricos que mostrem sequer indícios desse julgamento e quem entende da ciência política grotesca mas peculiar do Império Romano sabe que as autoridades condenavam pessoas de forma rápida e sumária, sem julgamentos.

Divaldo Franco tenta questionar o silêncio dos acomodados e a ganância dos privilegiados. Deveria olhar para si, que apoiou um político decadente, João Dória Jr. e fica cortejando autoridades ricas e poderosas. Deveria ver o quanto Divaldo manteve seu silêncio criminoso quando não cobrou das autoridades algum empenho pelo próximo, antes preferindo bajular os poderosos em troca de medalhas e condecorações.

Reproduzimos esse vergonhoso artigo, no qual Divaldo Franco não esboça a menor autocrítica, que foi publicado no jornal A Tarde, do dia 11 de janeiro último, semanas após o fiasco do Você e a Paz de Salvador, cidade na qual o povo começa a se despertar contra os deturpadores do Espiritismo e passa a abandoná-los gradualmente. Peço que leiam este texto, aparentemente cheio de "boas mensagens", mas vindo de um mistificador que fez propaganda à farsa das crianças-índigo:

==========

SILÊNCIO

Artigo de Divaldo Franco publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 11/01/2018

Num memorável discurso, pronunciado pelo Bispo de Recife e Olinda, Dom Hélder Câmara, em San Michel, em Paris, referiu-se com muita sabedoria e coragem que Mohandas Gandhi costumava dizer que “ele falava pelo povo sofrido do seu querido país. Ele, no entanto, fazia silêncio para que o povo pudesse falar”, expressando suas dores e a lamentável situação de miséria em que vivia.

O silêncio pode representar várias posturas comportamentais das criaturas humanas.

Em determinado momento significa muita coragem para poder suportar situações calamitosas, evitando torná-las piores; noutras situações pode expressar sabedoria para aguardar o momento adequado, quando poderá enunciar conceitos libertadores, falando por aqueles que se encontram amordaçados por impositivos perversos. 
Invariavelmente, porém, trata-se de postura covarde para não desagradar impostores, governos arbitrários, mantendo anuência com ações infelizes, pensando apenas nos interesses pessoais...

Vivemos, no mundo moderno, momentos muito graves, diante dos quais o silêncio dos justos e dos que pensam transforma-se em covardia moral, porque os seus portadores que poderiam contribuir para uma situação melhor, tendo medo de perder as migalhas vergonhosas ou usufruir do benefício das barganhas degradantes, terminam por minar as resistências dos mais fracos e submetê-los na sua ignorância a mais demorado cativeiro.

Proliferam em toda parte a decadência dos valores éticos, a prosperidade dos astutos e corruptos que desfrutam de cidadania e de popularidade como benfeitores dos humildes e humilhados, as expressões da degradação humana, os espetáculos assustadores da violência, o horror da miséria moral, econômica e social, ante a desfaçatez dos gozadores de ocasião, que os desprezam sem qualquer disfarce.

Homens e mulheres de bem que deveriam contribuir para que a situação se modificasse para melhor, não o fazem, mantêm-se silenciosos.

É comum ouvir-se dizer, repetindo o covarde Pilatos em referências a Jesus no Seu arbitrário julgamento, “que lavam as mãos”, mas não escaparam certamente da consciência ultrajada.

A coragem dos sofredores representa o poder de Deus no imo de cada ser, significando os divinos códigos do amor, da justiça, da solidariedade.

Uma sociedade que se olvida dos seus membros mais fracos, não é digna de subsistir, qual aconteceu com as grandes Nações do passado que edificaram sua glória e grandeza através da sórdida escravidão, da crueldade e dos privilégios de alguns em detrimento dos outros. Cuidado, pois, com o seu silêncio, que pode ser responsável pelo sofrimento de milhões de vidas.

Este é o nosso momento de construir o futuro.

DIVALDO P. FRANCO
Professor, médium e conferencista (sic)