sexta-feira, 10 de abril de 2015

"Filosofia" do "espiritismo" brasileiro não consegue resolver problemas humanos


A religião que afirma que vai comandar o mundo depois da "Data-Limite", o "espiritismo" brasileiro, tem como seu maior fundamento a perda de tempo. São pregações moralistas e apelos para o conformismo diante de adversidades que simplesmente influi para o travamento da sociedade, a partir do caso brasileiro.

Sem apresentar análises verdadeiras sobre a realidade espírita, ignorando estudos sérios da Ciência Espírita, muito bajulada e pedantemente citada, mas em nenhum momento analisada com isenção e honestidade, o "espiritismo" brasileiro se reduziu a ser um consultório sentimental da pior qualidade.

Sua prática se perde sempre em divagações moralistas sobre a Família, e sobre a exploração de problemas emocionais do indivíduo, em abordagens que se dizem "psicológicas" mas nada têm de Psicologia, por mais que desfilem nomes de pensadores como Jean Piaget e Sigmund Freud em pedantes artigos "espíritas".

Até porque a Psicologia é definida como a ciência da alma, mas o "espiritismo" brasileiro nada tem de científico. Ciência é apenas um campo estranho, um terreno desconhecido pelos "espíritas", do qual interpretam de maneira mística e sentimentalista, deturpando a própria natureza do conhecimento humano.

Existem atividades de Ciência Espírita no Brasil, mas elas não recebem o apoio devido, seja ele no caráter ideológico, através da divulgação para um número maior de pessoas, seja de caráter financeiro, no auxílio de investimentos para pesquisas sérias.

Em vez disso, o que se vê é um faz-de-conta em todos os aspectos. Os "espíritas" fingem que conhecem a Ciência Espírita, que compreendem tudo de mediunidade, que absorvem os mais diversos ramos da Ciência, que estabelecem contatos plenos com o mundo espíritual, quando, na prática, o que se vê é uma série de incompreensões, especulações ou mesmo fraudes.

Há até donas-de-casa que são beatas religiosas que, só por serem "espíritas" - dentro dos padrões que se conhece através da FEB e de Chico Xavier - , acham que podem entender de Ciência, tentando fazer forçadas análises racionais, arremedos de Sociologia, Psicologia, Filosofia e Antropologia, entre outros, que não raro apresentam fantasias grosseiras e interpretações equivocadas.

Por isso mesmo, o "espiritismo" encontra dificuldades para resolver problemas humanos, pelas contradições que acumulou em mais de cem anos, pela série de equívocos, fantasias, deturpações e outros aspectos negativos que mancharam a doutrina e a fazem destinar-se não à esperada ascensão na ciranda dos povos, mas a uma vergonhosa decadência até mesmo no Brasil.

Isso porque tudo não passa de um disfarce, de um mascaramento retórico, em alegações "científicas", de práticas nada científicas que apenas pairam entre o moralismo retrógrado e severo e o esoterismo mais delirante, Espiritismo, no Brasil, deveria até mudar seu nome para Familiarismo, já que 90% de sua prática é simplesmente de analisar os valores morais da Família.

E, mesmo dentro dessa "seara", o "espiritismo" brasileiro falha em seus propósitos, uma vez que seu expoente maior, Francisco Cândido Xavier, sempre teve como princípio a conformação com o sofrimento e a solução restrita ao silêncio da oração e à caridade paliativa.

É até constrangedor ver que muitos dos seguidores de Chico Xavier o definam como "transformador" e "progressista", qualidades que, com certeza, ele nunca teve. Chico defendia o moralismo mais retrógrado, o da submissão e do sacrifício, da conformação e do silêncio, que fazia os reprimidos continuarem reprimidos, e os deprimidos mais deprimidos ainda.

É aquele velho papo de que o problema não é o problema, mas a "solução". E ninguém vai ficar alegre porque, no apogeu do infortúnio, alguém lhe diz que ele receberá "uma chuva de bênçãos". Bênção é uma ideia abstrata, um "prêmio" sem forma, sem definição, sem gosto, sem consistência, intocável, imperceptível, é uma espécie de idealização positiva do "nada".

O que é ser "abençoado"? É sentir um vento fresco passar sobre a cabeça e acreditar que é a carícia de Deus? É sofrer a pior das torturas e ficar feliz só porque há um céu azul no lado de fora de uma casa, estabelecimento ou prisão? É ver tudo ocorrer errado em sua vida e se achar privilegiado porque umas duas mariposas voaram em sua frente?

O "espiritismo" acaba sendo sensível a tudo. Ele está preso a velhos valores moralistas, místicos, religiosos, ritualísticos etc, que não consegue compreender a natureza do homem. Muitos serviços de "auxílio fraterno", que tentam ser um fusão mais tosca de consultório psicológico com confessionário católico, sem ser qualquer dos dois, acabam causando mais depressão e tristeza nos infelizes.

Além disso, é até compreensível que a quase totalidade dos empenhos "espíritas" está em pedir "mais fraternidade" para as pessoas. Porque fraternidade é o que falta no próprio "espiritismo", é um recurso que, de acordo com suas concepções materialistas (sim, isso mesmo), anda em falta, pela ausência de benefícios que uma doutrina confusa, retrógrada e fingida acaba causando.

Esse é o mal da religião, quando doutrinas tentam ficar paradas no tempo e no espaço, resistindo às transformações da sociedade e ao surgimento de novas demandas, e não conseguem mais trazer respostas aos novos desafios. E ainda se arrogam ao achar que seus conceitos estão "acima" dos tempos e dos homens. A realidade comprova que isso não acontece.

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